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A SAGRADA ARTE DA DANÇA DO VENTRE
 Por: Perla Amabile

Antes mesmo de o Egito ser o maior império que já existiu, cerca de cinco mil anos atrás, nascera a maior e mais bela das artes, a mais feminina das danças, a entrega mais profunda de um ser: a Dança do Ventre (“Raks El Shark”).

Sua real origem não foi até hoje definida, por existirem diversos indícios. Mas, documentos históricos confirmam a existência da Dança do Ventre no Antigo Egito, pelas sacerdotisas egípcias, que utilizavam gestos e movimentos de dança do ventre em caráter sagrado, místico ou festivo. Elas dançavam em locais reservados, sem público, pois a dança era considerada um ritual sagrado.

Em alguns povos da Antigüidade pensava-se que a fertilidade humana estava diretamente relacionada com a terra. As mulheres, que eram as que criavam novas vidas, atribuiam-se poderes mágicos. Por exemplo: no mediterrânea (Turquia), há milhões de anos, as mulheres tinham danças rituais em honra a estes poderes mágicos (cerimônias relacionadas com a fertilidade). Os homens estavam excluídos destes rituais.

A dança era uma manifestação da mulher em oferenda aos Deuses, principalmente à Deusa Isis, a Deusa da fertilidade. Era a maneira que as sacerdotisas usavam para realizar seus rituais de invocações, rituais mágicos, rituais de sacrifício ou celebrações especiais, como: cerimoniais, casamentos, festas, nascimentos, funerais, à caça, plantação ou colheita, em homenagem aos deuses, aos animais, ao amor, ao poder e aos sentimentos mais profundos.

Através de movimentos, ondulações, shimies e uma ilimitada fonte de expressão corporal, buscava-se o “equilíbrio” entre as forças internas e externas, alcançando saúde, domínio das emoções e autoconhecimento. Era uma reverência à vida e ao poder da co-criação.

Depois da invasão do Egito pelos Hicsos (período Hicso) e demais povos, como os romanos e árabes, a dança foi sofrendo influências de várias culturas, fazendo com que cada região adquirisse suas características próprias.

 

A CHEGADA DA DANÇA AO OCIDENTE


          Durante o século XIX, o Oriente estava na moda. Muitos viajavam para os exóticos países e ficavam fascinados pela diversidade cultural encontrada lá. Autores e pintores descreveram seus encontros com bailarinas, que usavam seu corpo de forma a chocar os expectadores ocidentais, educados na era vitoriana.
A dança foi vista na Europa pela primeira vez na Mostra Mundial de Paris em 1889. Foram trazidos diversos artistas de rua algerianos para se apresentar dentro da mostra. No meio deles havia alguns dançarinos, não como os de hoje, que estavam apropriadamente vestidos com costumes tópicos. Este espetáculo interessou ao "American Sol Bloom", que levou-os em outro ano para a Exibição Mundial de Chicado em 1893. Uma dessas dançarinas, ficou na América e, mais tarde, tornou-se a conhecida dançarina "Little Egypt".
O termo em francês "danse du ventre", foi traduzido para dança do ventre, nome pelo qual hoje a dança é conhecida. A dança logo se tornou "burlesca" e ganhou má reputação. Até hoje as bailarinas de dança do ventre lutam para retirar esse rótulo e colocá-la numa posição privilegiada ao lado de outras formas de arte.

 

A DANÇA DO VENTRE NA ATUALIDADE

 

Muitos são os países que, hoje em dia, aprimoraram-se na da dança do ventre. É comum encontrarmos escolas especializadas, casas de show e músicos árabes, no mercado. Apesar de os maiores pólos de dança do ventre do mundo serem o Egito e o Líbano, a dança passou a ser comum em diversos outros lugares, percorrendo países do ocidente e da Europa, tais como: Estados Unidos, Canadá, Argentina, Brasil, Espanha, Itália e grande parte da Europa.

Como toda arte, a dança do ventre também sofreu influências de outras culturas. Hoje, encontramos muita mistura de músicas, roupas e estilos diferentes, no mercado. É música árabe com espanhola, bailarina de salto alto, trajes modernos e deslumbrantes, danças aprimoradas, entre outros. Uma excêntrica mistura de movimentos contemporâneos com os típicos e tradicionais.

Podemos dizer que hoje, a dança do ventre encontra-se sem limites de criatividade. E se isso é bom ou ruim, não nos convém discutir, pois não dá para estipular regras e limitações quando se trata de arte. Gosto é gosto! Afinal, com a globalização e o capitalismo, a miscigenação de culturas foi inevitável. E com a dança do ventre não seria diferente.

 

A DANÇA DO VENTRE NO BRASIL

 

Focando nosso país, podemos nos alegrar em dizer que temos profissionais altamente qualificados, muitos deles reconhecidos internacionalmente.
Apesar de São Paulo ser a capital da dança do ventre no Brasil, temos grandes bailarinas em toda parte, do norte ao sul do país.

As brasileiras agradam muito aos estrangeiros. Nossas bailarinas têm, em geral, um toque especial. A maioria tem um jeitinho próprio de dançar, que une o estilo egípcio, libanês e americano.

Seja qual for seu estilo, o importante é transmitir ao mundo a verdadeira essência da Dança do Ventre, de geração em geração, resgatando seus valores mais profundos, a fim de expandir sua magia e beleza, cada vez a mais e mais mulheres.

 CONHEÇA TAMBÉM, OS ILIMITADOS BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE

 

         Quando estamos a dançar, portas se abrem para o ilimitado mundo de possibilidades. Entramos em sintonia perfeita com nosso corpo, mente e espírito, descobrindo nossas verdades mais íntimas e nossos sentimentos mais profundos.

A dança permite que nos adentremos em nosso íntimo, apresentando-nos nosso verdadeiro “eu”. Este autoconhecimento nos permite ir além do superficial mundo da matéria, proporcionando novos conceitos e valores; potencializa nosso lado inter e intrapessoal, melhorando a convivência consigo mesma e com os outros.
        
Num contexto geral, a dança do ventre beneficia todo o organismo, através das massagens que seus movimentos promovem aos órgãos internos e através da sensação de prazer e bem-estar que proporciona.

A dança ajuda a regular o apetite, inibindo a ansiedade e o estresse, que fazem a maioria das mulheres comer mais ou menos do que o necessário. Ela também atua no aparelho digestivo, evitando prisão de ventre e regulando as funções intestinais e massageia e irriga os órgãos reprodutores, evitando cólicas menstruais, disfunções hormonais, frigidez, incontinência urinária etc.

A dança do ventre também desenvolve a auto-estima, despertando o que há de melhor em cada mulher! Faz com que cada uma reconheça e valorize suas qualidades, amando-se mais e tendo uma relação mais harmônica com seu corpo.

Além dos benefícios internos, a dança do ventre proporciona outros fisicamente notáveis: melhora a postura, proporciona mais elegância, tonifica e enrijece todos os músculos do corpo, afina a cintura, proporcionando uma silhueta bem feminina, e queima cerca de 350 calorias por hora, ajudando a quem quer perder peso.
Com tantos benefícios, a dança só tende mesmo a crescer! Seja uma mulher privilegiada e entre nesta corrente positiva que é o mundo da dança, da arte. Dance com toda sua alma! Como se quisesse alcançar o infinito. Sinta a energia passar pelo seu corpo, estimulando cada parte antes adormecida e sinta esse poder vibrar de dentro para fora, fazendo seu corpo explodir de energia! Dance e sinta-se VIVA!
Através de um trabalho corporal direcionado também podemos adquirir o alinhamento dos “chakras”. Os chakras são centros de força responsáveis diretamente pelo equilíbrio das energias do duplo etérico (corpo energético), sendo sete principais: básico / espinha dorsal, esplênico/baço, umbilical/plexo solar, cardíaco/coração, laríngeo/garganta, frontal/entre as sobrancelhas e coronário/alto da cabeça.
Além destes, temos pequenos chakras espalhados por todo o corpo. O fluxo vital destas diversas correntes regula a saúde das partes do corpo por onde passa. Mas, para que as energias possam fluir com naturalidade, devemos ter uma conscientização corporal e postural, a fim de que os chakras possam estar alinhados corretamente e prontos para a circulação das energias.

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